Sou filho de operários nascidos no final da década de 40. Minha avó materna emigrou da Romênia para o Brasil no início do século, aos nove anos e por engano. Queriam ir para a América. Trabalhou na lavoura, depois na fábrica, sem sotaque, sem memória cultural e analfabeta. Casou-se com um também romeno e tiveram minha mãe como segunda filha. Ana como a mãe, quase não vinga, por ter nascido prematura e frágil. Por parte de pai, a avó descendente de italianos e o avô de caboclos; pedreiro, quase nenhum estudo, mas de grande estatura ética.

Meus pais estudaram até a quinta série e abandonaram a escola para trabalhar. Minha mãe foi manicura, cabeleireira e operadora de máquina numa fábrica de luvas, onde conheceu meu pai, que desde os treze anos adotou o chão da fábrica como segundo lar.

Realizei meus estudos na rede pública de ensino, com certa curiosidade, um pouco de resistência e o inevitável enfado. Desde cedo, demonstrei uma paixão incontida por livros, mas não os da escola.

Com catorze anos concluí o primeiro grau na Escola Municipal Sylvia Martin Pires e ingressei, por meio de um concorrido “vestibulinho”, na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, para o curso de Eletrônica. Como técnico, trabalhei na rua Libero Badaró, em frente à lanchonete onde, décadas antes, os modernistas, liderados por Oswald de Andrade, se reuniam para discussões literárias.

Cumpria as obrigações o mais rápido possível e corria para a biblioteca e as livrarias do Centro, onde ficava “farejando” livros até o final do dia. Descobri Antonin Artaud, William Blake, Charles Bukowski, José Saramago, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Baudelaire, Rimbaud... Escrevia poemas e contos. Distante do trabalho, penetrava cada vez mais “no reino das palavras” até que, entre o insuportável e o inevitável, ingressei no curso de Letras da USP.

Concluída a graduação, fui trabalhar com orientação de estudos na biblioteca de uma escola particular, assumindo posteriormente a coordenação das atividades culturais, o que me permitiu organizar eventos teatrais, musicais e literários. Nesta escola, lecionei Língua Portuguesa, Redação e Literatura. Depois atuei em cursinhos preparatórios para o vestibular, até que em 2003 iniciei minha trajetória no curso superior.

Paralelamente à atuação profissional, continuei escrevendo poemas e contos, os quais se tornaram públicos em saraus e na
Revista Gargântua, publicada em 1998 pela Editora Humanitas, da FFLCH-USP. No ano seguinte, foi publicado Almenara.

Em 2001, foi lançado pela Editora Zouk
Alucinação, livro-objeto que por meio do autor suposto simula uma obra abandonada, reunida ainda amassada num pote encontrado em um manicômio. Resgata o experimentalismo de S. Mallarmé, para quem um lance de dados jamais abolirá o acaso.

Outras publicações vieram com o decorrer dos anos, entre livros de ficção e de estudos.

Ingressei em 2001 no programa de pós-graduação da Faculdade de Educação, onde realizei o doutorado direto pela linha temática Cultura, Organização e Educação, defendendo em 2005 a tese
O Imaginário de Fernando Pessoa: da educação cindida à educação sentida, um estudo sobre o universo simbólico do poeta português e de seus três principais heterônimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Em 2011, a tese reelaborada foi publicada pela Educ.

Atuando desde 2003 no ensino superior, dei muita aula de diversas disciplinas em vários cursos, inicialmente em faculdades particulares, algumas boas e outras ruins, tanto para graduação quanto para pós-graduação. Exerci cargo de coordenação de curso, participei de núcleos e grupos de pesquisa, integrei comissões e conselhos, orientei pesquisas, participei de bancas...

Em 2008 fui aprovado em concurso público na Faculdade de Educação da USP, integrando desde então o EDA. Na pós-graduação, atuo na área de Cultura, Organização e Educação.

Em 2015, defendi tese de livre-docência intitulada “O mundo, os homens e suas obras: filosofia trágica e pedagogia da escolha”.

Atualmente, tenho trabalhado com as formulações de uma pedagogia da escolha e com a relação entre cinema e educação.



Informações detalhadas podem ser encontradas no Currículo Lattes:

http://lattes.cnpq.br/9177825353868183